quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Opinião: Ginásio Carioca

Artigo de Claudia Costin comenta o projeto de novo modelo de ensino ''Ginásio Carioca''
* CLAUDIA COSTIN

Há alguns anos, entrar para o ginásio era um feito memorável: as famílias comemoravam e associavam o sucesso nas provas de admissão, especialmente se a criança fosse de origem humilde, com um talento grande e um futuro promissor.

Muitos lançam olhares saudosos a esse passado, em que a escola pública apresentava qualidade, e culpam os novos tempos por oferecer um projeto de ensino populista e sem conteúdo forte. Culpam, em especial, o poder público por ter permitido a inclusão de um número grande de crianças pobres na escola, sem assegurar a qualidade necessária.

De fato, o ginásio público era para poucos, normalmente os filhos dos letrados ou de famílias que tinham clareza do papel da Educação como mecanismo de ascensão social. Os demais eram excluídos.

No Brasil, as reformas educacionais do período militar acabaram com o ano de admissão e com os exames de entrada no ginásio. Alguns anos mais tarde, após a redemocratização do País, o acesso ao Ensino Fundamental se universalizou, o que representou, sem dúvida, um grande avanço.

No Rio de Janeiro, após o anúncio pelo prefeito Eduardo Paes do fim da aprovação automática e quase dois anos de esforço para dar um salto na qualidade da Educação carioca, os resultados são surpreendentes, nos anos iniciais: a adoção de um currículo claro, acompanhado de provas bimestrais unificadas e reforço escolar estruturado, trouxe uma evolução importante no Ideb, índice que mede a aprendizagem do aluno e dados de repetência e evasão.

Esse sucesso, porém, não se repetiu, na mesma medida, nos anos finais. Do 6º ao 9º ano, tivemos melhorias importantes na Prova Brasil, mas esse resultado positivo foi suplantado pelo aumento em 366% na taxa de reprovação. Além disso, as notas, embora melhores que em 2007, ainda deixam a desejar.

Nesse sentido, concebemos um novo modelo de ensino do 6º ao 9ºano que chamamos de Ginásio Carioca. O nome empresta do antigo ginásio a associação com excelência acadêmica e agrega-lhe o adjetivo carioca, porque se quer excelência sem exclusão, para todos. É fácil oferecer bom ensino para alunos excelentes, mas com isso acabamos com a ideia de que a escola pública pode ser fonte de oportunidades.

Como lograremos implantar semelhante modelo? Adotando uma estratégia que vem dando certo em várias cidades: instrumentalizando o professor com um material adequado para um ensino mais eficiente. O professor neste segmento de ensino tem pouco tempo para preparar seus planos de aula e se vê muitas vezes sozinho com a tarefa de preparar aulas instigantes para um público adolescente e inquieto.

Decidimos, nesse sentido, chamar 220 professores, a maioria deles de sala de aula, para aos sábados preparar aulas digitais e apostilas, para seus colegas. Cada professor assina uma ou mais aulas. A UFRJ capacitou e acompanhou os professores, e consultores de outras universidades também nos ajudaram na tarefa.

Para viabilizar o Ginásio, projetores serão acoplados a computadores em cada sala, projetando as aulas digitais que incluem vídeos, exercícios, pesquisas e jogos. O professor terá um plano de aula e textos para sua preparação e os alunos, material para revisão e dever de casa. Para completar, cada aluno será orientado para preparar seu projeto de vida.

Planejar o futuro, entender a ligação entre o estudo e um caminho profissional desejável, em que empenho seja valorizado, resgatando uma ética e um sentido de esforço. Não há sonho realizado sem luta. A escola pública deve oferecer ensino de qualidade. O resto é com cada aluno, protagonista de sua própria vida!


* CLAUDIA COSTIN é secretária de Educação da prefeitura do Rio.

Fonte: O Globo (RJ)

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Uma cruel liderança - por Luiz Mott (O Globo 03/01/2011)

Recentemente, o presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros, ao receber no Palácio do Planalto o prêmio de direitos humanos, provocou riso nos governistas presentes ao intitular Lula "Papai Noel dos Gays". Anos passados, ao receber idêntica premiação de FHC, abri uma faixa "Gays querem justiça!", protestando contra a homofobia reinante em nosso país: matava-se então no Brasil um homossexual a cada três dias, uma média de 100 a 150 por ano. A gente era quase feliz e não sabia! Ao tomar posse, Lula recebeu a incumbência de cumprir o Programa Nacional de Direitos Humanos II, onde, num total de 402 ações afirmativas, constavam 11 dirigidas à população LGBT.

Lastimavelmente, Lula deixou de cumprir sua obrigação constitucional, pois, apesar de muita bravata, realizando uma conferência nacional, instituindo o Programa Brasil sem Homofobia, criando no último mês de governo o Conselho Nacional LGBT, como acertadamente declarou a senadora Marta Suplicy, "a situação piorou para os homossexuais no Brasil. Os crimes aumentaram e nenhuma lei foi aprovada no Congresso. Os países vizinhos avançaram mais. Apesar da festa, temos um cenário cada vez mais difícil!" Faltou vontade política de Lula para enfrentar a homofobia institucional. Cristina Kirchner foi muito mais ousada.

Triunfalismos a parte, em vez de Papai Noel dos Gays, desgraçadamente, Lula ficará na historia como "Vampiro dos Gays". Nunca antes na história deste país tanto sangue gay foi derramado ou contaminado pelo HIV, devido à irresponsabilidade do atual governo. Em 2009 foram documentados 198 assassinatos de homossexuais brasileiros, crimes de ódio cometidos com requintes de crueldade. Até início de dezembro de 2010, 235 gays, travestis e lésbicas foram cruelmente trucidados, aproximadamente uma morte a cada dia e meio, o dobro de quando Lula começou a governar. O país da futura Copa ostenta cruel liderança: é o campeão mundial de assassinato de homossexuais! Aqui matam-se muitíssimo mais gays do que todas as execuções homofóbicas de Irã, Arábia, Sudão, Nigéria e demais sete países onde há pena de morte contra os amantes do mesmo sexo. Nos Estados Unidos, com cem milhões a mais de habitantes, matam-se em média 25 gays por ano; aqui, 250!

Todo esse sangue derramado poderia ter sido evitado se Lula tivesse cumprido ao menos duas ações afirmativas do PNDH-II, aprovado meses antes de sua posse:

* Nº 231. "Promover a coleta e a divulgação de informações estatísticas sobre a situação sociodemográfica dos LGBT, assim como pesquisas que tenham como objeto as situações de violência e discriminação praticadas em razão de orientação sexual."

* Nº 232. "Implementar programas de prevenção e combate à violência contra os LGBT, incluindo campanhas de esclarecimento e divulgação de informações relativas à legislação que garantam seus direitos."

A mortandade de gays vítimas da aids é outra face criminosa do vampirismo do "Papai Noel dos Gays": enquanto são 0,8% os homens heterossexuais infectados pelo HIV, entre os gays 11% são soropositivos. As raras campanhas de prevenção destinadas ao principal "grupo de risco" da epidemia, além de tímidas, não causaram o efeito necessário. De quem é a culpa?

Lula deixa para sua sucessora essa cruel herança maldita para os homossexuais e transexuais: se ficar a aids pega, se correr a homofobia mata.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Coleção História Geral da África em português

8 volumes da edição completa.
Brasília: UNESCO, Secad/MEC, UFSCar, 2010.

Resumo: Publicada em oito volumes, a coleção História Geral da África está agora também disponível em português. A edição completa da coleção já foi publicada em árabe, inglês e francês; e sua versão condensada está editada em inglês, francês e em várias outras línguas, incluindo hausa, peul e swahili. Um dos projetos editoriais mais importantes da UNESCO nos últimos trinta anos, a coleção História Geral da África é um grande marco no processo de reconhecimento do patrimônio cultural da África, pois ela permite compreender o desenvolvimento histórico dos povos africanos e sua relação com outras civilizações a partir de uma visão panorâmica, diacrônica e objetiva, obtida de dentro do continente. A coleção foi produzida por mais de 350 especialistas das mais variadas áreas do conhecimento, sob a direção de um Comitê Científico Internacional formado por 39 intelectuais, dos quais dois terços eram africanos.

Download gratuito (somente na versão em português):

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

José Honório Rodrigues (1913-1987)

12/02/2008

Autor de livros sobre história do Brasil, foi diretor do Arquivo Nacional entre 1958 e 1964
Filipe Monteiro

Carioca formado em Direito, José Honório Rodrigues especializou-se em História do Brasil e escreveu diversos livros, como Civilização holandesa no Brasil (1940); As fontes da História do Brasil na Europa (1950); Período colonial (1953); Brasil e África. Outro horizonte (1961); História e historiadores do Brasil (1965); Interesse nacional e política externa (1966); A Assembléia Constituinte de 1823 (1974), Independência: revolução e contra-revolução, 5 vols. (1976), e História da História do Brasil. 1a Parte: A historiografia colonial (1979), entre outros.

Entre 1939 e 1944, trabalhou no Instituto Nacional do Livro, onde foi colega de Sérgio Buarque de Holanda. Estudou metodologia histórica na Universidade de Columbia, em Nova York, EUA, com bolsa da Fundação Rockfeller. Ao voltar, em 1945, tornou-se bibliotecário do Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA) e um ano depois tomou posse como diretor da Divisão de Obras Raras da Biblioteca Nacional. Entre 1958 e 64 assumiu a direção do Arquivo Nacional.

Como professor, formou gerações, lecionando no Instituto Rio Branco, na UFF, UFRJ, PUC-Rio e UnB. Também foi professor-visitante na Universidade do Texas, em Austin, e na de Colúmbia, em Nova York.

Foi membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, da Academia Portuguesa da História, da American Historical Association (EUA), da Royal Academy of History (Inglaterra), da Sociedade Histórica de Utrech (Holanda) e da Academia Brasileira de Letras.

Fonte: Revista de História da Biblioteca Nacional (http://www.revistadehistoria.com.br/v2/home/?go=detalhe&id=1417)

Divulgação: Blog "A REVOLTA DA CHIBATA"

Blog mantido pelo aluno da UGF Eduardo Seabra, que tem como principal finalidade servir de ferramenta pedagógica a professores e alunos, sobre o ensino da Revolta da Chibata nas escolas. 

Os apenas "interessados" no tema também irão encontrar boas informações disponíveis.

Nas escolas públicas, deficiência de aprendizado

Dados do Todos Pela Educação mostram que alunos concluem o Ensino Médio sem saber matemática e português Adauri Antunes Barbosa

SÃO PAULO. Os alunos das escolas públicas brasileiras não estão tendo o aprendizado adequado, conforme apontam dados divulgados ontem pelo movimento Todos pela Educação. Apenas 11% dos estudantes que terminam o 3º ano do ensino médio sabem o conteúdo apropriado de matemática e apenas 14,8% dos que concluem o ensino fundamental compreendem essa disciplina.

Em língua portuguesa, o desempenho é um pouco melhor, embora ainda muito baixo. Apenas 28,9% dos alunos que terminam o ensino médio (3º ano) têm o conteúdo adequado da matéria. Na conclusão do ensino fundamental, o índice não passa de 26,3%. E entre os alunos de 5ª série, chega a 34,2%.

Os dados fazem parte do relatório "De olho nas metas", elaborado anualmente pelo Todos pela Educação, grupo de especialistas e interessados em Educação que acompanha cinco metas que devem ser cumpridas até 2022: toda criança de 4 a 17 anos deve estar na escola; toda criança deve estar plenamente alfabetizada até os 8 anos de idade; todo aluno deve ter aprendizado adequado à série; todo jovem deve concluir o ensino médio até os 19 anos; e os investimentos em Educação devem ser ampliados.

A meta mais importante sugere que "70% ou mais dos alunos terão aprendido o que é adequado para a sua série". Se a evolução continuar no ritmo atual o Brasil só vai atingi-la em 2050. Embora nenhuma das séries avaliadas esteja próxima da meta estabelecida, no 5º e no 9ºano do ensino fundamental houve melhora em língua portuguesa na comparação com o primeiro ano do Sistema de Educação Básica (Saeb), 1999. No ensino médio, 28,9% atingem o objetivo para a etapa, enquanto eram 27,6% há 10 anos. Em matemática, no entanto, os que atingiam o objetivo eram 11,9% há dez anos e hoje são 11%.

- Isso significa que 89% das nossas crianças estão concluindo a Educação básica sem aprender o mínimo - explicou Priscila Cruz, diretora-executiva do Todos pela Educação.

Para o sociólogo Simon Schwartzman, do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets), a evolução no aprendizado do português, embora pequena, não deve ser atribuída à melhoria da qualidade do ensino. Segundo ele, o português está associado à Educação familiar.

- Se a família fala um pouco melhor, a criança aprende. Matemática depende da escola, o que significa que a instituição não está ensinando - disse.

Em matemática, a meta para o ensino médio era de 14,3% e a média geral do país ficou em 11%. O pior desempenho é da Região Norte, com 4,9%, seguido pelo Nordeste (6,8%), pelo Centro-Oeste (10,4%), pelo Sudeste (13,7%) e pelo Sul (16,5%). A secretária de Educação Básica do MEC, Maria do Pilar Almeida e Silva, admitiu o atraso do país no ensino médio, mas se queixou da "herança histórica":

- Não são só dez anos que se perderam, são 500 anos perdidos. Muitas gerações foram desperdiçadas. O que fazemos para tentar recuperar é o Prouni, a Educação de Jovens e Adultos.

O ensino médio recebe um dos menores investimentos do governo por estudante. Em geral, porém, o Brasil está indo na direção de alcançar a meta do Todos pela Educação de melhorar a gestão e aumentar o investimento em Educação, chegando a 5% do PIB.

No quadro atual dos investimentos, o ensino superior recebe mais recursos: R$15,4 mil por ano/aluno, depois no ensino fundamental (R$3,2 mil por aluno/ano) e no médio exatos R$2.317 por aluno/ano.

No ranking dos estados que mais investem na Educação, em primeiro está o Distrito Federal (R$4.834,43 por aluno/ano), seguido por Roraima (R$4.367,37) e Amapá (R$3.729,39). O Rio está na 10ª posição, com R$2.773,33 por aluno e São Paulo em 9º (R$2.930,56).

Em outra meta do Todos pela Educação - a de que todo jovem ou criança de 4 a 17 anos deve estar na escola -, o país já chegou, em 2009, a 91,9%, apesar do objetivo de 92,2% não ter sido atingido. A meta é ter 98% dos alunos desta faixa etária em sala de aula em 2022.

- Não podemos cair na cilada de achar que este número é a universalização. Ainda temos 3,7 milhões fora da escola, algo igual a população do Uruguai - diz Priscila Cruz, que aponta como o mais perverso dessa realidade o fato de 85% dos sem escola serem os mais pobres:

- A Educação não está fazendo seu papel de criar mobilidade social.

Concluíram o ensino fundamental 63,4% dos adolescentes de até 16 anos (a meta era 64,5%) e 50,2% das pessoas com 19 anos no ensino médio, mais que a meta, de 46,5%.

Fonte: O Globo (RJ)

I Encontro Nacional sobre Pensamento Social Brasileiro e Administração Pública